Dor torácica na infância e na adolescência

Dor no peito na criança e no adolescente: quando é do coração.

Quando uma criança leva a mão ao peito e diz que dói, o pensamento da família vai direto para o coração. A informação que reorganiza esse susto é esta: na grande maioria das vezes, a dor no peito da criança não tem origem cardíaca — e mesmo assim ela merece ser avaliada.

Escrito e revisado pela Dra. Fernanda Antoniolli, cardiologista pediátrica em Goiânia · CRM-GO 27519 · RQE 15044 e 15045. Revisado em 07 de agosto de 2026.

Por que essa dor assusta tanto

Dor no peito, no imaginário de qualquer adulto, é infarto. Só que o coração de uma criança adoece de maneira completamente diferente do coração de um adulto — o que causa dor no peito aos cinquenta anos praticamente não existe aos dez. A queixa é a mesma; o significado, não.

É por isso que a consulta com quem avalia coração de criança todos os dias resolve rápido uma angústia que, sozinha em casa, dura semanas.

A dor no peito da criança é comum, quase sempre não é do coração, e ainda assim vale avaliar — porque quem separa uma coisa da outra é o exame, não o palpite.

De onde a dor costuma vir

A parede do tórax é feita de músculo, cartilagem, osso e nervo, e é dali que sai a maior parte das dores. Um esforço novo na educação física, uma mochila pesada, uma sequência de tosse, um estirão de crescimento — tudo isso produz dor real, localizada, que costuma piorar ao apertar o local ou ao respirar fundo.

Existem ainda causas respiratórias, causas do aparelho digestivo e o componente emocional, que é frequente na adolescência e não é invenção: ansiedade produz dor de verdade. Cada um desses grupos tem seu próprio caminho de investigação, às vezes com outra especialidade — e parte do trabalho da consulta é justamente indicar esse caminho quando o coração é descartado.

O que faz a dor merecer avaliação cardiológica

Estas são as características que mais pesam. Nenhuma delas é diagnóstico; todas são motivo legítimo para avaliar:

  • Dor que aparece durante o esforço físico — e não em repouso
  • Dor acompanhada de desmaio ou de sensação de que vai desmaiar
  • Dor acompanhada de palpitação ou de coração disparado
  • Dor que acorda a criança à noite
  • Dor com falta de ar importante junto
  • Criança com cardiopatia já conhecida, operada ou não
  • História familiar de doença cardíaca precoce, arritmia ou morte súbita

Do outro lado, o padrão mais tranquilizador também tem cara própria: dor rápida, em pontada, localizada num ponto que a criança consegue apontar com o dedo, que piora ao apertar ou ao respirar fundo, e que acontece em repouso.

O que anotar antes da consulta

  • Quando começou e com que frequência acontece
  • Em que situação aparece — em pé, deitado, correndo, na aula, ao dormir
  • Quanto tempo dura: segundos, minutos, horas
  • Onde dói, e se a criança consegue apontar o ponto exato
  • O que melhora e o que piora
  • Se veio acompanhada de outro sintoma
  • Se houve mudança recente de rotina, treino, sono ou clima emocional

O que acontece na consulta

A consulta começa por essa história e por tudo o que a cerca: gestação, parto, crescimento, rotina de esforço, medicamentos, e o que existe de doença cardíaca na família. Depois vem o exame físico cardiovascular completo, sem pressa, incluindo o exame da própria parede do tórax — que muitas vezes reproduz a dor e já explica de onde ela vem.

Se a avaliação indicar aprofundar, o exame de imagem do coração é realizado na própria clínica, no mesmo endereço. Ao final, você sai sabendo o que foi encontrado, o que aquilo significa e o que muda — ou não muda — na rotina do seu filho.

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Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Só a avaliação individual do seu filho permite dizer o que se aplica ao caso dele. Diante de dor intensa e persistente, falta de ar importante, desmaio ou mudança súbita na cor da pele, procure imediatamente um serviço de emergência.

Perguntas frequentes

O que as famílias perguntam sobre dor no peito.

Dor no peito em criança é do coração?

Na grande maioria das vezes, não. É uma queixa frequente na infância e na adolescência, e a origem costuma ser da parede do tórax, dos músculos, da respiração, do aparelho digestivo ou da ansiedade.

A dor de origem cardíaca é a minoria dos casos — o que não dispensa a avaliação, porque só a história clínica e o exame físico separam uma coisa da outra.

Quando a dor no peito da criança é preocupante?

As características que mais motivam avaliação cardiológica são: dor durante o esforço físico, dor acompanhada de desmaio ou de palpitação, dor que acorda a criança à noite, dor com falta de ar importante, criança com cardiopatia já conhecida e história familiar de doença cardíaca precoce.

Nenhum desses itens é diagnóstico. Todos são motivos legítimos para avaliar.

Dor no peito ao correr é normal?

Dor que aparece exatamente durante o esforço é a característica que mais pesa na avaliação, e por isso merece ser levada ao médico.

Isso não quer dizer que exista doença: significa que essa circunstância precisa ser esclarecida antes de a criança seguir com a rotina de treino.

Adolescente com dor no peito precisa de cardiologista?

A queixa é comum na adolescência, especialmente em períodos de crescimento acelerado, esforço físico novo ou estresse.

A avaliação cardiológica é indicada quando a dor tem alguma das características de alerta, quando existe cardiopatia conhecida, quando há história familiar relevante, ou simplesmente quando a família e o pediatra querem descartar a origem cardíaca com segurança.

Se não é o coração, o que é?

As causas mais frequentes são musculoesqueléticas — a parede do tórax, as cartilagens das costelas, um esforço recente, uma tosse repetida. Também entram causas respiratórias, digestivas e o componente emocional, que é real e não é invenção da criança.

Identificar de qual grupo vem a dor é parte do trabalho da consulta, e às vezes envolve outras especialidades.

Preciso ir ao pronto-socorro?

Procure atendimento de emergência imediatamente se a dor for intensa e persistente, ou se vier acompanhada de falta de ar importante, desmaio, mudança na cor da pele ou coração muito acelerado que não melhora.

Fora dessas situações, a dor no peito da criança costuma ser avaliada em consulta agendada, e não em caráter de urgência.

O que levar na consulta?

A descrição dos episódios: quando começaram, com que frequência, em que situação aparecem, quanto tempo duram, o que a criança estava fazendo e o que faz melhorar.

Leve também o encaminhamento do pediatra, se houver, e qualquer exame do coração já realizado. Veja a lista completa do que levar.

Descartar o coração também é um resultado.

Mande uma mensagem contando como é a dor e quando ela aparece. As atendentes da clínica organizam o horário com você. Setor Marista, Goiânia.